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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

FAMÍLIA CANAPUM



FAMÍLIA CANAPUM (FAMÍLIA SILVEIRA DA VÁRZEA DO APODI) – ENSAIO GENEALÓGICO E HISTÓRICO

A alcunha “Canapum”, amplamente difundida em diversos municípios do Oeste potiguar, não possui origem como sobrenome formal, mas sim como um epíteto familiar. Historicamente, essa denominação passou a identificar parte dos descendentes da tradicional família Silveira, estabelecida na Várzea do Apodi desde o século XIX.

Os registros mais remotos dessa linhagem destacam figuras de relevância pública, entre eles João Nogueira da Silveira, que exerceu funções administrativas nas primeiras décadas após a elevação da então Vila de Apodi à categoria de cidade, em 1833, atuando como vereador e primeiro administrador municipal.

Durante aquele século, membros da família Silveira radicaram-se principalmente no Sítio São Lourenço, uma área de forte ocupação agrícola e relevante para o processo de povoamento regional. Nessa comunidade encontra-se o casal que estruturou uma das principais ramificações da família: Antônio Francisco da Silveira e Ana Gomes da Silveira — esta nascida no próprio São Lourenço, filha de Antônio Francisco do Rosário e Ana Rocha.

Descendência de Antônio Francisco da Silveira e Ana Gomes da Silveira

O casal teve os seguintes filhos, nascidos na segunda metade do século XIX:

• Maria Gomes da Silveira (n. 1845)

• Joana Gomes da Silveira (n. 1855) — tronco dos Silveira do Sítio Arapuá, Felipe Guerra

• Francisca Gomes da Silveira (n. 1867)

• Izabel Gomes da Silveira (n. 1868)

• Ana Francisca da Silveira (n. 1869)

• Francisco Antônio da Silveira (n. 1870)

• Amaro Antônio do Rosário (n. 1871)

• Hermógenes Gomes da Silveira (n. 1872)

•

Entre esses descendentes, sobressai Francisco Antônio da Silveira, figura central no surgimento do nome Canapum na genealogia potiguar. Estabelecido no Sítio Barrocas, Francisco era casado com Rosa Francisca da Conceição. A partir desse ramo, a alcunha se consolidou entre seus descendentes diretos, transmitida como identificação social e comunitária, sobretudo ligada ao labor rural e às relações de vizinhança e parentesco.

Descendência de Francisco Antônio da Silveira (Chico Canapum) e Rosa Francisca da Conceição

• Francisca Maria dos Prazeres

• Pedro Francisco do Nascimento (Pedro Canapum) — residiu no Sítio São Vicente, Caraúbas

• Antônio Francisco do Nascimento (Antônio

Canapum) — residiu no Sítio Pau dos Ferros, Apodi

• João Francisco da Silveira

• Francisco Antônio do Nascimento — residiu no Sítio São Lourenço, avô do ex-vereador Valdir Canapum

• Miguel Antônio do Nascimento — residiu no Sítio Pau dos Ferros, Apodi

• Pedro Antônio do Nascimento — residiu no Sítio Pau dos Ferros, Apodi

• Domingos Antônio do Nascimento — radicou-se em Umarizal

• Lúcio Antônio da Silveira

• Paulo Francisco do Nascimento (27/04/1903 – 1980) — casado com Maria Amélia de Morais

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Descendência de Paulo Francisco do Nascimento e Maria Amélia de Morais

• Raimundo Francisco do Nascimento, conhecido como Mudinho de Paulo

• Paulo Francisco do Nascimento, o Paulinho Canapum

• Maria de Lurdes de Morais, mãe do ex-prefeito de Felipe Guerra Haroldo Ferreira

• Antônio Francisco do Nascimento, conhecido como Tonho de Paulo Canapum

CONSIDERAÇÕES HISTORIOGRÁFICAS

A formação da família Canapum integra o contexto mais amplo de ocupação econômica da Várzea do Apodi, marcada pela agricultura irrigada tradicional e pela constituição de pequenos núcleos rurais ao longo dos rios e olhos-d’água locais. Essa família contribuiu largamente para o povoamento de áreas que hoje pertencem aos municípios de Apodi, Felipe Guerra, Caraúbas e Umarizal, desempenhando papéis sociais diversos — de liderança comunitária a participação política, evidenciada nas gerações mais recentes.

O reconhecimento historiográfico desse clã familiar representa não apenas resgatar um sobrenome de caráter popular, mas reafirmar sua importância como um dos troncos genealógicos basilares da região da Várzea do Apodi.

 

O LEGADO DE MUNDICO DE BATISTA

Nos tempos em que a carnaúba reinava soberana nos sertões de Felipe Guerra, havia um homem que transformava o suor em progresso: Raimundo Celso, o querido Mundico de Batista.

Na sua prensa de cera, o barulho do ferro e o cheiro da cera quente se misturavam às conversas animadas dos trabalhadores. Ali, muitos pais de família encontravam sustento e dignidade, guiados pela confiança e pela palavra firme de Mundico de Batista, pele clara, estatura mediana, sempre com seus óculos de grau e um bom chapéu na cabeça, ele era figura marcante da Pindoba. Boêmio nas horas de descanso apreciava uma boa prosa e gostava de ver o pôr do sol cair sobre o terreiro, como quem contempla o que ajudou a construir.

Mundico de Batista foi mais que um comerciante no ramo da cera de carnaúba — foi um pioneiro do desenvolvimento local, gerando emprego, movimentando o comércio e acreditando no valor do trabalho simples e honesto. Acreditava que respeito era o melhor negócio, e sua palavra valia mais do que qualquer documento. Foi assim, no trato limpo e no compromisso certo, que construiu uma reputação que o tempo não desfez.

Hoje, o tempo levou seu corpo, mas não o seu nome — porque nomes como o de Mundico não se apagam. Permanecem acesos na memória do povo, vivos nas lembranças de quem o conheceu.E quando alguém fala da velha Pindoba, é impossível não citar Mundico de Batista, pois a história daquela terra ainda guarda, entre as palhas da carnaúba e o cheiro da cera quente, as marcas do seu trabalho e da sua honestidad

 

POR GERALDO FERNANDES

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